As diferenças dentre a Renda Fixa

Acerca dos produtos de investimentos que o mercado oferece, existem duas grandes classes: aqueles que sabemos no momento da contratação quanto iremos receber no futuro, e aqueles que a rentabilidade depende do desempenho do ativo investido. Trata-se de produtos de Renda Fixa vs. Renda Variável.

Contudo, dado com evolução do mercado e o amadurecimento do mercado secundário, a Renda Fixa pode não ser tão fixa quanto o nome sugere. Dentro desta importante classe de ativos, há subdivisões que abordaremos ao longo deste texto. O objetivo é que você possa entender os riscos inerente a cada um destes ativos de opções de Renda Fixa.

Antes de prosseguirmos, importante salientar que no mercado existem dois tipos distintos de risco: de crédito e de mercado. O risco de crédito trata-se do risco de contraparte, ou seja, de que o devedor não tenha fundos para honrar seus compromissos para com seu credor. No risco de mercado entende-se pela ocorrência de perdas resultante da flutuação nos preços dos ativos

Pós-fixado: Esta é a maior classe ativos da economia do Brasil, da dívida pública, representa 37% do total da dívida (jan/2019), um estoque de R$ 1,4 trilhões! Sua definição se dá por possuir uma taxa de juros flutuante indexado a SELIC, no caso de dívida pública, e ao CDI, no caso de dívida privada. As empresas (financeiras e não-financeiras) contraem dívida e pagam ao credor usualmente o CDI + spread, ou um percentual do CDI, sendo comumente encontrado nos bancos através do CDB. Tal instituição financeira oferece a seus correntistas este investimento que pagará, por exemplo, 90% do CDI. Comumente dizemos que o capital aplicado nesta modalidade está em liquidez, aguardando definições de mais longo prazo. Cabe respeitar que alguns ativos dentro desta classe obrigarão ao investidor permanecer um período mínimo com o recurso aplicado.

Pré-fixado: Esta classe tem ganho representatividade com a evolução da economia brasileira, em termos de dívida pública já representa 31% do total emitido pelo Tesouro Nacional (jan/2019). O investidor, ao adquirir títulos desta modalidade, terá no vencimento do contrato o principal acrescido do percentual de juros fixos pactuados na data da contratação. Por exemplo, ao comprar no Tesouro Direto um título prefixado com vencimento em 2022, em 25 de março de 2019, o investidor receberá uma taxa de rendimento de 7,72%. Alocar capital nesta classe de ativo pode trazer emoções ao investidor, pois devido a flutuação dos preços no mercado secundário de títulos, o investidor poderá ter ágio, ou deságio, ou seja, poderá ter um retorno adicional (ágio), ou diminuição do retorno original (deságio). Contudo, como este efeito é dado pelo risco de mercado, pois decorre da flutuação de preços, o investidor só irá realizar esta diferença (ágio, ou deságio) caso decida se desfazer do ativo investido, caso decida levá-lo até o vencimento receberá normalmente a taxa originalmente contratada.

Inflação: Esta classe costuma ser a mais volátil dentre as de Renda Fixa, caracteriza-se por remunerar o investidor com inflação, do período, mais spread de juros acordado no momento da aplicação. Tendo em vista que a inflação futura é incerta e que os preços dos títulos sofrem oscilações no mercado secundário, dado o risco de mercado, esta classe pode oferecer um certo risco ao portfólio. Contudo, ela traz um efeito de extrema relevância na formação de carteiras de longo prazo, o ganho real. Em investimentos de longo prazo, um dos principais riscos é de obter retornos consistentemente acima da inflação, ou sejas retornos reais. Esta classe de ativo proporciona um “hedge” a este risco dado sua característica de formação. Adicionalmente os títulos desta classe costumam ter vencimentos mais longos, proporcionando ao investidor diferimento fiscal e investimentos de caráter previdenciários.

Um acompanhamento dos principais índices de referência de ativos financeiros brasileiros, realizado entre os anos de 2004 e 2017 mostra que o IMA-B (índice da Anbima composto por títulos públicos federais indexados a inflação) é a classe de ativos mais rentável do período, acumulando um retorno de 500%, equivalente a 14,69% a.a., seguida do IRF-M (índice da Anbima composto por títulos públicos federais pré-fixados) que acumulou 411,9%, equivalente a 13,57% a.a., acima do resultado da CDI que acumulou 350,7% no período, equivalente a 12,16% a.a. e bem acima do Ibovespa (principal índice da B3) que acumulou 170,9% no período, equivalente a 9,22% a.a.

Um portfólio de investimentos deve ser composto de diferentes classes de ativos, sabendo aproveitar as vantagens que cada uma oferece sabendo utilizá-las nos momentos adequados. Adicionalmente, salientamos que não existe portfólio ótimo que pode ser replicada a diversos investidores. Uma carteira deve estar aderente aos objetivos do investidor, assim como sua disposição a risco. Ciente disso, a MoMa Capital auxilia na construção de portfólios singulares satisfazendo as necessidades individuais de cada cliente. Conheça-nos mais aqui.